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O que é glaucoma: sintomas e por que é o "ladrão silencioso da visão"

  • Foto do escritor: Dr. Arthur Berrêdo
    Dr. Arthur Berrêdo
  • 13 de jun.
  • 5 min de leitura

Referência: AAO BCSC Section 10 — Glaucoma, 2023–2024


Introdução

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. O nome "ladrão silencioso da visão" existe por um motivo: na maioria dos casos, a doença avança sem dor, sem embaçamento e sem qualquer sintoma perceptível — até que uma parte considerável da visão já foi perdida.

Esse comportamento silencioso é o maior desafio do diagnóstico precoce. E entender como o glaucoma age é o primeiro passo para proteger sua visão.

Ilustração anatômica do nervo óptico mostrando o dano causado pelo glaucoma.
Ilustração anatômica do nervo óptico mostrando o dano causado pelo glaucoma.

O que é glaucoma

O glaucoma é um grupo de doenças caracterizadas pelo dano progressivo ao nervo óptico — o nervo que transmite as imagens do olho para o cérebro. Quando esse nervo é danificado, a visão começa a ser perdida de forma irreversível.

O nervo óptico é formado por aproximadamente 1,2 milhão de fibras nervosas. O glaucoma vai destruindo essas fibras aos poucos. A perda começa pela visão periférica (lateral), e por isso passa despercebida por tanto tempo: a visão central, usada para ler e reconhecer rostos, é preservada nas fases iniciais.

A pressão intraocular (PIO) elevada é o principal fator de risco modificável para o glaucoma. No entanto, pressão normal não exclui o diagnóstico — existe glaucoma com pressão dentro da faixa considerada normal (chamado glaucoma de tensão normal).


Quais são os sintomas do glaucoma

Na grande maioria dos casos, o glaucoma de ângulo aberto — o tipo mais comum — não causa sintomas nas fases iniciais e intermediárias. Isso é o que o torna tão perigoso.

Quando sintomas aparecem, geralmente indicam fase avançada:

  • Perda da visão periférica (lateral), percebida tardiamente

  • Sensação de "visão em túnel" em casos avançados

  • Redução da acuidade visual quando o dano já é extenso

No glaucoma agudo de ângulo fechado, os sintomas são distintos e surgem de forma súbita:

  • Dor ocular intensa em um olho

  • Olho muito vermelho

  • Visão turva de início súbito

  • Halos coloridos ao redor das luzes

  • Náuseas e vômitos (podem confundir com enxaqueca)

O glaucoma agudo é uma emergência médica. Se esses sinais aparecerem, procure atendimento oftalmológico imediato.

Comparação entre visão normal e perda do campo visual causada pelo glaucoma.
Comparação entre visão normal e perda do campo visual causada pelo glaucoma.

Causas e fatores de risco

O principal mecanismo é a elevação da pressão intraocular por dificuldade na drenagem do humor aquoso — o líquido que circula dentro do olho. Quando a drenagem falha, o líquido se acumula, a pressão sobe e o nervo óptico é comprimido progressivamente.

Fatores que aumentam o risco de glaucoma, segundo a AAO:

  • Pressão intraocular elevada

  • Histórico familiar de glaucoma (pai, mãe ou irmão)

  • Idade acima de 40 anos

  • Raça negra — maior risco e maior gravidade

  • Córnea fina (pachymetria reduzida)

  • Escavação aumentada do nervo óptico

  • Diabetes mellitus

  • Miopia elevada (para glaucoma de ângulo aberto)

  • Uso prolongado de corticoides sem acompanhamento

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do glaucoma não depende de um único exame. Ele é feito pela combinação de:

Exame

O que avalia

Tonometria

Medição da pressão intraocular

Gonioscopia

Avaliação do ângulo de drenagem do olho

OCT do nervo óptico

Imagem da camada de fibras nervosas

Campimetria (campo visual)

Mapeamento das perdas no campo de visão

Fundoscopia

Avaliação do aspecto do nervo óptico

Paquimetria

Medida da espessura da córnea — influencia a interpretação da pressão


A campimetria computadorizada é especialmente importante porque detecta perdas funcionais no campo visual, inclusive em áreas que o paciente ainda não percebe na vida diária.

Exame de OCT utilizado para avaliação do nervo óptico no glaucoma.
Exame de OCT utilizado para avaliação do nervo óptico no glaucoma.

Tratamento

O glaucoma não tem cura, mas tem controle eficaz. O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular para um nível que proteja o nervo óptico de danos adicionais.

Situação

Conduta possível

Observação

Hipertensão ocular sem dano

Acompanhamento ou colírio hipotensor

Depende do perfil de risco individual

Glaucoma leve ou moderado

Colírio hipotensor, laser SLT

Avaliação individualizada

Glaucoma avançado ou sem resposta ao colírio

Cirurgia (trabeculectomia, implante de válvula)

Quando há indicação médica

Glaucoma agudo

Tratamento imediato, iridotomia a laser

Emergência — não pode esperar



Quando procurar um oftalmologista

  • Histórico familiar de glaucoma

  • Pressão ocular elevada identificada em exame anterior

  • Idade acima de 40 anos sem avaliação oftalmológica recente

  • Diabetes, uso de corticoides ou outros fatores de risco

  • Qualquer sintoma súbito no olho: dor, vermelhidão intensa, visão turva

  • Suspeita de alteração no exame de nervo óptico


O que não ignorar

O erro mais comum é esperar sintomas para procurar avaliação. O glaucoma de ângulo aberto não avisa. Quando a pessoa percebe a perda de visão periférica, parte do nervo óptico já foi danificada de forma permanente.

A boa notícia: quando diagnosticado precocemente, o glaucoma pode ser controlado e a progressão pode ser interrompida ou significativamente desacelerada.


Em resumo

  • Glaucoma é um grupo de doenças que danifica o nervo óptico de forma progressiva

  • O tipo mais comum não causa sintomas nas fases iniciais

  • A pressão elevada é o principal fator de risco, mas glaucoma pode ocorrer com pressão normal

  • O diagnóstico depende de exame oftalmológico completo — não apenas da medição da pressão

  • O tratamento não cura, mas controla a progressão quando iniciado precocemente

  • Pessoas com fatores de risco devem fazer avaliação regular, mesmo sem sintomas


Perguntas frequentes

Glaucoma tem cura?

Não. O dano ao nervo óptico causado pelo glaucoma é irreversível. No entanto, o tratamento adequado pode controlar a progressão da doença e preservar a visão existente por muitos anos.

Como saber se tenho glaucoma?

Somente por exame oftalmológico completo. A tonometria, o OCT do nervo óptico e a campimetria são essenciais para o diagnóstico. Não existe sintoma confiável nas fases iniciais do tipo mais comum.

Glaucoma causa cegueira?

Pode causar, quando não tratado ou diagnosticado em fase muito avançada. Com tratamento adequado e iniciado precocemente, a maioria dos pacientes preserva a visão funcional por toda a vida.

Filhos de pessoas com glaucoma têm mais risco?

Sim. O histórico familiar de glaucoma aumenta significativamente o risco. Filhos e irmãos de pacientes com glaucoma devem realizar avaliação oftalmológica regular a partir dos 40 anos, ou antes se houver outros fatores de risco.

Posso sentir quando a pressão do olho está alta?

Na maioria das vezes, não. A pressão intraocular elevada crônica não causa dor nem sintoma perceptível. Apenas o glaucoma agudo, que envolve elevação intensa e súbita da pressão, causa dor ocular intensa.

O colírio para glaucoma precisa ser usado para sempre?

Em geral, sim. O glaucoma é uma condição crônica e o colírio mantém a pressão controlada enquanto está sendo usado. Interromper sem orientação médica pode permitir que a pressão volte a subir e que o dano ao nervo progrida.


Agende sua avaliação

Se você tem suspeita de glaucoma, pressão ocular elevada, alteração no nervo óptico, perda de campo visual ou histórico familiar da doença, agende uma avaliação com o Dr. Arthur Berrêdo, oftalmologista com fellowship em glaucoma pela UNICAMP.

Atendimento em Cuiabá, Tangará da Serra e Rondonópolis. Consulta online disponível para triagem, segunda opinião e planejamento prévio quando indicado.

Agendamento pelo WhatsApp da Luz dos Olhos.


⚠️ Este artigo tem finalidade educativa e informativa, com base em referências da American Academy of Ophthalmology. Não substitui consulta médica individualizada.


Dr. Arthur Berrêdo | Glaucoma | Fellowship HC-Unicamp | CRM-MT 15.491 | RQE 7727

Luz dos Olhos — Cuiabá · Tangará da Serra · Rondonópolis | luzdosolhos.com.br



 
 
 

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