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Ceratocone tem cura? Do crosslinking ao transplante de córnea

  • Foto do escritor: Dra. Isabella Aquino
    Dra. Isabella Aquino
  • 23 de jun.
  • 3 min de leitura

Referência: AAO BCSC — Cornea, External Disease and Refractive Surgery, 2023–2024


Introdução

O ceratocone não tem cura no sentido de reverter a deformação já existente na córnea. Mas tem tratamento eficaz que pode estabilizar a progressão da doença e oferecer boa qualidade visual para a maioria dos pacientes.

O caminho do tratamento vai de intervenções mais conservadoras, como o crosslinking, até opções mais complexas como o transplante de córnea — cada etapa tem sua indicação específica.

Comparação entre córnea normal e córnea com ceratocone.
Comparação entre córnea normal e córnea com ceratocone.

Estágios do ceratocone e tratamentos correspondentes

Estágio

Objetivo do tratamento

Opções descritas pela AAO

Inicial — progressão ativa

Estabilizar, impedir avanço

Crosslinking corneano (principal indicação)

Leve a moderado — visão comprometida

Corrigir a visão com menor invasão

Lentes rígidas, esclerais ou anel de Ferrara

Avançado — visão gravemente afetada

Corrigir a visão com maior eficácia

Transplante de córnea (DALK ou penetrante)


Topografia corneana utilizada para diagnóstico e acompanhamento do ceratocone.
Topografia corneana utilizada para diagnóstico e acompanhamento do ceratocone.

Crosslinking — o principal tratamento para estabilizar

O crosslinking corneano é o procedimento mais utilizado para estabilizar a progressão do ceratocone. Ele cria novas ligações entre as fibras de colágeno da córnea, aumentando sua rigidez e resistência.

  • Não corrige a deformação existente — estabiliza o que está

  • Mais eficaz em fases iniciais e intermediárias

  • Realizado no consultório ou centro cirúrgico ambulatorial

  • Não impede que o paciente use lentes para correção visual após o procedimento

  • A AAO descreve resultados favoráveis de estabilização em casos adequadamente selecionados

Procedimento de crosslinking utilizado para estabilizar o ceratocone.
Procedimento de crosslinking utilizado para estabilizar o ceratocone.

Anel de Ferrara — quando a forma da córnea ainda pode ser melhorada

Os anéis intracorneanos (como o Anel de Ferrara ou Ferrara Ring) são implantados no estroma da córnea para tentar regular a curvatura irregular causada pelo ceratocone. Podem melhorar a qualidade visual e facilitar a adaptação de lentes.

  • Não estabiliza a progressão — geralmente associado ao crosslinking

  • Indicado em casos selecionados onde a deformação tem padrão adequado

  • Procedimento reversível

Anel de Ferrara implantado na córnea para tratamento do ceratocone.
Anel de Ferrara implantado na córnea para tratamento do ceratocone.

Lentes de contato especiais — correção da visão

Para corrigir a visão no ceratocone, lentes de contato convencionais em geral não são suficientes. Lentes especiais são necessárias:

  • Lentes rígidas gás-permeáveis: criam nova superfície regular sobre a córnea irregular

  • Lentes esclerais: apoio na esclera, ultrapassam a córnea — conforto superior e visão melhor em casos mais avançados

  • Lentes híbridas: centro rígido com saia flexível

Lente escleral utilizada para correção visual no ceratocone.
Lente escleral utilizada para correção visual no ceratocone.

Transplante de córnea — quando nada mais é suficiente

O transplante de córnea é indicado quando o ceratocone está avançado demais para ser corrigido com lentes ou anel, e quando a visão está seriamente comprometida mesmo com as melhores lentes disponíveis.

DALK — Deep Anterior Lamellar Keratoplasty

O DALK substitui apenas as camadas anteriores da córnea, preservando o endotélio do paciente. Tem menor risco de rejeição que o transplante total.

Transplante penetrante de córnea

Substitui toda a espessura da córnea. Indicado quando o endotélio do paciente também está comprometido.

Após o transplante, o paciente ainda pode precisar de lentes ou óculos para correção visual final, e o acompanhamento é prolongado.

Comparação entre DALK e transplante penetrante de córnea.
Comparação entre DALK e transplante penetrante de córnea.

Em resumo

  • Ceratocone não tem cura — mas tem tratamento eficaz

  • Crosslinking é o principal procedimento para estabilizar a progressão

  • Lentes especiais (rígidas, esclerais) corrigem a visão sem cirurgia

  • Anel de Ferrara melhora a forma da córnea em casos selecionados

  • Transplante de córnea é reservado para casos avançados

  • A sequência de tratamento depende do estágio da doença e dos exames


Perguntas frequentes

Crosslinking dói?

O procedimento é feito com colírio anestésico. Nos primeiros dias de recuperação pode haver desconforto ocular e sensibilidade à luz, geralmente controlados com medicação.

Depois do crosslinking ainda preciso usar lentes?

Na maioria dos casos, sim. O crosslinking estabiliza a progressão, mas não regulariza a córnea. Lentes especiais continuam sendo necessárias para corrigir a visão.

O transplante de córnea tem risco de rejeição?

Sim. O transplante total de córnea tem risco de rejeição. O DALK tem menor risco por preservar o endotélio do receptor. O acompanhamento prolongado com medicação imunossupressora tópica é necessário.

Com que frequência preciso de retorno quando tenho ceratocone?

Em geral a cada 6 a 12 meses, com topografia de córnea para monitorar progressão. Em fases ativas ou após procedimento, a frequência é maior.


Agende sua avaliação

Se você tem ceratocone e quer avaliar qual tratamento é adequado para o seu estágio, agende com a Dra. Isabella Aquino, oftalmologista com fellowship em córnea e cirurgia refrativa.

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⚠️ Este artigo tem finalidade educativa e informativa, com base em referências da American Academy of Ophthalmology. Não substitui consulta médica individualizada.


Dra. Isabella Aquino | Córnea, Cirurgia Refrativa e Catarata | Fellowship Córnea e Refrativa | CRM-MT 16.540 | RQE 8277

Luz dos Olhos — Cuiabá · Tangará da Serra · Rondonópolis | luzdosolhos.com.br


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