Glaucoma tem cura? Colírio, laser ou cirurgia, o que realmente controla a doença
- Dr. Arthur Berrêdo

- há 7 dias
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Referência: AAO BCSC #86C6E5Section 10 — Glaucoma, 2023–2024 Introdução
Uma das perguntas mais frequentes no consultório de glaucoma é: "existe cura?" A resposta direta é não — o glaucoma não tem cura. Mas isso não significa que a doença não pode ser controlada.
Com tratamento adequado e acompanhamento regular, a maioria dos pacientes com glaucoma preserva a visão funcional por toda a vida. O que muda com o tratamento não é a cura, mas a progressão: ela pode ser interrompida ou significativamente desacelerada.
Por que o glaucoma não tem cura
O dano ao nervo óptico causado pelo glaucoma é irreversível. As fibras nervosas destruídas não se regeneram. Isso significa que a visão já perdida não volta — independentemente do tratamento.
O objetivo de qualquer tratamento para glaucoma é, portanto, preservar a visão que ainda existe. Isso é feito controlando a pressão intraocular para um nível que o nervo óptico consiga suportar sem sofrer dano adicional.

Opções de tratamento — colírio, laser e cirurgia
Colírio — o tratamento mais comum
A maioria dos pacientes com glaucoma começa o tratamento com colírio hipotensor — medicamento que reduz a pressão intraocular. Existem diferentes classes, com mecanismos distintos:
Classe do colírio | Mecanismo |
Análogos de prostaglandina (ex: latanoprosta, bimatoprosta) | Aumentam a drenagem do humor aquoso |
Betabloqueadores (ex: timolol) | Reduzem a produção do humor aquoso |
Inibidores da anidrase carbônica (ex: dorzolamida) | Reduzem a produção do humor aquoso |
Agonistas alfa-2 (ex: brimonidina) | Reduzem produção e aumentam drenagem |
Colírios combinados | Dois mecanismos em um frasco, para facilitar adesão |

O colírio precisa ser usado de forma contínua e regular. Interromper o tratamento permite que a pressão volte a subir e que o dano progrida.
Laser SLT — Selective Laser Trabeculoplasty
O laser SLT é um procedimento realizado no consultório que melhora a drenagem do humor aquoso pela malha trabecular. Pode ser indicado como primeira opção de tratamento ou como complemento ao colírio.
Procedimento ambulatorial, sem internação
Não causa dor significativa
Efeito hipotensor pode durar de 2 a 5 anos em média, com possibilidade de repetição
Indicado para casos selecionados, conforme avaliação do especialista

Procedimento de laser SLT utilizado no tratamento do glaucoma.
Cirurgia — quando o tratamento clínico não é suficiente
Quando o colírio e o laser não controlam adequadamente a pressão ou quando a progressão continua apesar do tratamento, a cirurgia pode ser indicada. As principais opções, segundo a AAO, incluem:
Trabeculectomia: cria uma nova via de drenagem para o humor aquoso
Implante de válvula (tubo de drenagem): dispositivo que drena o líquido para fora do olho
Procedimentos minimamente invasivos (MIGS): técnicas mais recentes com menor risco, indicadas em casos selecionados
A escolha entre uma técnica e outra depende do tipo de glaucoma, do estágio da doença e do perfil do paciente. A decisão é sempre individualizada.

Qual tratamento é o melhor?
Não existe uma única resposta para todos os casos. O tratamento mais adequado depende de:
Tipo e estágio do glaucoma
Pressão-alvo definida pelo oftalmologista para cada paciente
Tolerância ao colírio e capacidade de uso regular
Progressão documentada em exames de acompanhamento
Perfil geral de saúde do paciente
A importância do acompanhamento regular
Mesmo com tratamento, o glaucoma precisa de monitoramento contínuo. Exames periódicos de OCT do nervo óptico e campimetria (campo visual) permitem identificar se a doença está estável ou progredindo — e ajustar o tratamento quando necessário.
Pacientes com glaucoma geralmente fazem consultas de 3 a 6 meses, dependendo da estabilidade da doença.

Em resumo
Glaucoma não tem cura — o dano ao nervo óptico é irreversível
O tratamento controla a pressão intraocular e impede que o dano progrida
As opções incluem colírio, laser SLT e cirurgia — a escolha é individualizada
O colírio precisa ser usado de forma contínua — interromper por conta própria piora a doença
Acompanhamento regular com OCT e campimetria é essencial para avaliar a resposta ao tratamento
Perguntas frequentes
Posso parar o colírio se a pressão estiver normal?
Não. A pressão está normal porque o colírio está sendo usado. Interromper sem orientação médica permite que ela volte a subir e que o nervo óptico seja danificado novamente.
O laser SLT substitui o colírio definitivamente?
Em alguns casos pode substituir o colírio por um período. Mas o efeito do laser tende a diminuir com o tempo e nem sempre é suficiente para controlar a pressão nos casos mais avançados. A avaliação é individual.
A cirurgia de glaucoma cura a doença?
Não cura, mas pode reduzir ou eliminar a necessidade de colírio e controlar a pressão por períodos prolongados. Mesmo após cirurgia bem-sucedida, o acompanhamento continua sendo necessário.
O tratamento do glaucoma dói?
O colírio pode causar ardor leve ao ser pingado. O laser SLT pode causar desconforto mínimo durante o procedimento. A cirurgia é feita com anestesia local e o pós-operatório geralmente é bem tolerado com medicação adequada.
Glaucoma piora com o tempo se eu usar o colírio direitinho?
Com pressão bem controlada, a progressão pode ser muito lenta ou estabilizada. Mas alguns pacientes progridem mesmo com tratamento. Por isso o acompanhamento com OCT e campo visual é essencial — para detectar progressão precocemente e ajustar o tratamento.
Agende sua avaliação
Se você usa colírio para glaucoma, tem dúvidas sobre o seu tratamento ou quer avaliar se laser ou cirurgia podem ser indicados para o seu caso, agende uma avaliação com o Dr. Arthur Berrêdo, oftalmologista com fellowship em glaucoma pela UNICAMP.
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⚠️ Este artigo tem finalidade educativa e informativa, com base em referências da American Academy of Ophthalmology. Não substitui consulta médica individualizada.
Dr. Arthur Berrêdo | Glaucoma | Fellowship HC-Unicamp | CRM-MT 15.491 | RQE 7727
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